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O Partido e
o "Novo Trabalhismo"
O
PDT - Partido Democrático Trabalhista surgiu
em 17 de junho de 1979, em Lisboa, fruto do Encontro
de Trabalhistas no Brasil com Trabalhistas no Exílio,
liderados por Leonel Brizola.
Seu Objetivo era reativar o PTB, Partido Trabalhista
Brasileiro, criado por Getúlio Vargas e presidido
por João Goulart, proscrito pelo Golpe de 1964.
Desse encontro, ao qual esteve presente o líder
português Mário Soares, representando a
Internacional Socialista, saiu a Carta de Lisboa, que
definiu as bases do novo Partido.
"O Novo Trabalhismo" - dizia o documento
- "contempla a propriedade privada condicionando
seu uso às exigências do bem-estar social.
Defende a intervenção do Estado na Economia,
mas como poder normativo, uma proposta sindical baseada
na liberdade e na autonomia sindicais e uma sociedade
socialista e democrática".
Uma manobra jurídica, patrocinada pela ditadura,
no entanto, conferiu a sigla, em 12 de maio de 1980,
a um grupo encabeçado por Cândida Ivete
Vargas Tasch, uma sobrinha em segundo grau de Getúlio.
"Consumou-se o esbulho", denunciou Brizola,
chorando e rasgando diante da televisão um papel
sobre o qual escrevera aquelas três letras, que
durante tanto tempo simbolizara as lutas sociais no
Brasil.
Uma semana depois, nos dias 17 e 18 de maio, os trabalhistas
autênticos reuniram-se no palácio Tiradentes,
sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro,
para o Encontro Nacional dos Trabalhistas, que contou
com a participação de mais de mil pessoas.Lá
foi anunciada a adoção de uma nova sigla
para o partido - PDT.
No dia 25 de maio, outra reunião, na ABI, Associação
Brasileira de Imprensa, na Cinelândia, aprovou
o programa, o manifesto e o Estatuto do Partido Democrático
Trabalhista.
O PDT passou então a dar cumprimento ao enunciado
da Carta de Lisboa, organizando-se inicialmente em nove
estados, sobretudo a partir do Rio de Janeiro e Rio
Grande do Sul.
O autoritarismo, ainda vigente, baixou normas draconianas
para favorecer o partido do poder - PDS, antiga Arena,
hoje PPB - e restringir brutalmente os partidos de oposição.
Não obstante, na primeira eleição
democrática de 1982, o PDT elege Brizola governador
do Rio de Janeiro, dois senadores - um no Rio e outro
em Brasília - 24 deputados federai, credenciando-se
como uma das principais forças políticas
do país.
Em 1983, antes da posse de Brizola, os pedetistas fazem
nova reunião nacional, em que tiram a Carta de
Mendes, cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro
que abrigou o encontro.
Neste documento, eles traçam as diretrizes da
ação política para a realidade
do novo Brasil saído das urnas. O surto que se
abateria sobre o mundo, a partir dali, entretanto, retarda
a ascensão do Partido ao poder nacional.
Em 1989, o PDT era escolhido como o único membro
da Internacional socialista no Brasil, entidade que
reúne os principais Partidos populares do mundo.
(Foto de 29/01/2000 - Flávio Pacheco)
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