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Manifesto do
Partido Democrático Trabalhista
O Partido Democrático Trabalhista (PDT) tem
seus fundamentos na consciência democrática
nacional e nas grandes lutas históricas do Trabalhismo
brasileiro. Inspira-se na Declaração dos
Direitos Humanos das Nações Unidas no
conteúdo da Carta Testamento do Presidente Getúlio
Vargas e na Carta de Lisboa, elaborada quando se reuniram
os trabalhistas no exílio com os trabalhadores
do Brasil.
Somos um partido que defende a Democracia, O Nacionalismo,
o Socialismo, um partido nacional e popular. Somos o
partido da Democracia Trabalhista porque somente a participação
popular nas decisões da vida nacional pode levar
a um nacionalismo e a um socialismo fraternos e em liberdade.
O nosso Trabalhismo coloca a Democracia como o mais
alto valor e considera o ambiente natural em que podem
frutificar os nossos ideais trabalhistas. Nosso nome
e nossa sigla expressam o nosso compromisso básico
e fundamental.
O nosso Trabalhismo retoma a bandeira das lutas nacionais
e populares pelas reformas de base em razão das
quais foi deposto o governo constitucional do Presidente
João Goulart. O Trabalhismo que representamos
é o que foi firme na resistência aos quinze
anos de autoritarismo. É o Trabalhismo que sofreu
sucessivas ondas de proscrições, aquele
que mais contribuiu para a formação da
frente de oposição ao regime autoritário.
O Trabalhismo que conosco retorna à vida política
organizado como PDT é uma força que se
alicerça nas batalhas democráticas do
nosso povo, como também na experiência
nacional e internacional que acumulamos. Daí
a nossa solidariedade com os povos da América
Latina, como os novos Estados de expressão portuguesa
que surgiram na África, e com as forças
democráticas de todo o mundo.
Hoje, quando a consciência nacional reclama,
cada vez mais firmemente, a restauração
da soberania popular e a reconstrução
democrática do País, o PDT propõe
um projeto alternativo de sociedade para o Brasil. Projeto
que é resultado de uma longa experiência
histórica da classe trabalhadora e da análise
dos acertos e dos erros cometidos no passado. Para realizar
nosso projeto criamos um partido que se rege por princípios
democráticos, por militância ativa e permanente
e que rejeita ser uma simples sigla eleitoral. Faremos
do PDT um partido de massas, vivo, moderno com intensa
vida partidária - a nossa contribuição
para o Brasil pluralista que almejamos.
O PDT tem como um dos seus objetivos fundamentais trabalhar
pela unidade de todas as correntes do movimento popular,
respeitando sua independência e autonomia. Estamos
convencidos que este movimento a partir das bases populares
não somente proporcionará a unidade dos
partidos de oposição, como é condição
essencial na luta pela Democracia em nosso País.
O Partido Democrático Trabalhista, surge nesta
nova fase da história brasileira que queremos
ajudar a construir, afirmando os seguintes princípios
e definições, os quais submetem à
Nação e apresenta aos seus seguidores
o objetivo de iniciar o mais amplo debate.
I - O Trabalhismo Democrático
Como doutrina tem seu fundamento no primado de duas
ordens de valores:
- O trabalho, fonte originária de todos os bens
e riquezas, é a relação básica
sobre o qual se constitui a vida social. Para o Trabalhismo
Democrático, os valores do trabalho não
são apenas os econômicos, mas, igualmente,
os valores humanos, éticos, culturais e políticos.
- A democracia, aspiração das grandes
maiorias populares de nosso País que propugnam
pela construção de uma sociedade democrática
e pluralista, é para o Trabalhismo Democrático
um ativo e crescente processo de auto-organização,
em todos os níveis, de tal modo que a nossa sociedade
venha a ser cada dia mais livre, mas fraterna e igualitária.
Eis porque o trabalhismo é o caminho brasileiro
para a construção de uma sociedade democrática
e socialista.
O Partido Democrático Trabalhista, PDT, é
uma organização política de natureza
essencilamente dinâmica, democrática e
democratizadora, que visa a transformação
das estruturas econômicas e sociais no sentido
do desenvolvimento harmônico e indepenmdente.
Portanto, é um partido que luta pela participação
de um número cada vez maior de homens e mulheres
em todos os campos de atividade, nos frutos da produção,
das decisões políticas e em todos os bens
do progresso e da civilização.
II - O Trabalhismo e a Nação Brasileira
O compromisso supremo do PDT, de todos os seus membros
e seguidores, é com a integridade e defesa da
Nação brasileira, considerada como o conjunto
de nosso povo, e dos valores de nossa nacionalidade.
Como Nação, somos e seremos sempre o produto
das lutas, da criatividade e, sobretudo, do trabalho
do nosso povo. O conteúdo da Carta Testamento
do Presidente Getúlio Vargas expressa, com autenticidade
e realismo, esse sentido popular e nacional de nosso
processo histórico, assim como define rumos para
o futuro e identifica as barreiras que se vêm
opondo aos interesses fundamentais da Nação.
E o nosso próprio povo e suas potencialidades
a maior riqueza e fonte de afirmação do
Brasil. Tendo acesso ao saber e à cultura, condições
de vida e saúde, um ambiente de liberdade e justiça,
ele transforma o nosso País, rapidamente, em
uma grande Nação.
III - A Democracia Trabalhista
O outro postulado básico do trabalhismo é
a mobilização social e a organização
partidária das grandes maiorias trabalhadoras,
o que só é praticável num ambiente
de liberdade e democracia. Eis porque, para o Partido
Democrático Trabalhista, a democracia fundada
no regime representativo, na pluralidade dos partidos
e na garantia dos direitos humanos fundamentais, não
é uma fase ou simples caminho, nem se restringe
aos aspectos formais da vida social, mas a condição
mesma da realização de seus próprios
fins.
Nossa concepção de democracia consagra
dois princípios fundamentais: o da igualdade
e o da participação. A democracia só
é real quando materializa ao nível das
relações econômicas e culturais,
os interesses e as aspirações fundamentais
das grandes maiorias. Nesse sentido a democracia é
um objetivo permanente a ser atingido e uma tarefa constante
a todos os níveis da vida real, e todos os dias,
pela transformação global da sociedade.
A experiência histórica demonstra que nenhum
partido popular pode chegar a se manter no governo sem
contar com o povo organizado e, também, que as
organizações da sociedade não conseguem
realizar suas aspirações sem partidos
que a transformem em realidade política, através
do poder de um Estado Democrático. Partido e
povo organizado constituem, por conseguinte, as duas
condições fundamentais para a construção
de uma sociedade justa e democrática.
IV - O Trabalhismo e os Valores Humanos
O Partido Democrático Trabalhista considera
e defende os valores humanos a partir do trabalho como
uma das verdadeiras dimensões de justiça
no conjunto das relações sociais. Para
a democracia trabalhista está sempre em primeiro
lugar a pessoa humana, sua condição de
ser social e ser que trabalha, sujeito de sua ação
e consciente de sua liberdade, mas, comprometido, solidariamente,
com os demais na sociedade. O indivíduo e a família
estão como núcleo natural e básico
de toda a vida social, inerente à própria
natureza humana, e onde o trabalho emerge igualmente
como atividade solidária.
V - Da Democracia Trabalhista
O Partido Democrático Trabalhista assume as
causas do povo trabalhador, expressando e defendendo
os direitos e as aspirações de todos os
que dependem do trabalho para viver, de todos os que,
em fim, exercem o trabalho ou qualquer forma de prestação
de serviços, como atividade socialmente útil
- e de um modo especial muito especial - das populações
marginalizadas:milhões de brasileiros oprimidos
e abandonados, sem oportunidade de trabalhar condignamente
e de desenvolver suas potencialidades. A democracia
trabalhista abrange, pois, um amplo arco social, cuja
espinha dorsal são os trabalhadores e camponeses
de todo o Brasil: desde as populações
mais pobres e marginalizados, os desempregados e subempregados,
os assalariados em geral, camponeses e pequenos produtores
do interior funcionários, profissionais, professores
e estudantes, mães e donas de casa, aposentados,
artistas e intelectuais, classe média e empresários
nacionais da indústria, do comércio e
do campo, que aceitem o sentido social e o conteúdo
ético e democratizador do programa democrático
trabalhista.
VI - Direitos Democráticos e Sociais
Consagrando estes princípios, o Partido Democrático
Trabalhista proclama, afirma e defende os seguintes
direitos democráticos e sociais do povo brasileiro:
01. O direito de viver em liberdade e sem medo, como
povo civilizado num ambiente de paz, sem ameaças
de golpes e de violências repressivas na posse
e usufruto de seu território e de seus recursos
naturais e em condições de impor respeito
à sua dignidade e independência.
02. O direito de ser a única fonte de soberania
e de todo poder legítimo nos limites do território
pátrio; e, por conseguinte, o direito de auto-organizar-se
em um regime democrático, com uma. Constituição
estável, de ter suas leis, suas instituições
públicas, sociais e privadas e o próprio
Estado, organizados e funcionando conforme sua vontade
soberana e seus reais interesses. Em conseqüência,
é um direito do povo brasileiro opor-se e repelir
toda e qualquer concepão ou doutrina que atribua
a grupos e minorias ou às próprias instituições
armadas uma missão tutelar por cima da soberania
popular.
03. O direito de escolher e fiscalizar, livremente,
seus dirigentes e representantes no Estado, nos partidos
políticos e em suas instituições
sociais, através do voto universal, secreto e
direto de todos os seus cidadãos, homens e mulheres,
sem discriminação alguma, inclusive aqueles
aos quais a sociedade e o Estado deixaram de ensinar
a ler e escrever. E, portanto, o direito de repelir
e combater, considerando um atentado às garantias
do cidadão, das minorias e à própria
Nação, toda e qualquer interferência
e pressões do poder econômico, ou de origem
autoritária nas eleições, corrompendo
ou coagindo, deformando, enfim, a verdade eleitoral.
04. O direito de participar da discussão, elaboração,
execução, controle ou revisão de
todas as decisões e atividades que o afetam,
tanto no individual como no coletivo; e dispor da mais
ampla informação, num ambiente de livre
debate dos problemas do País e da sociedade,
com acesso a todas as correntes de pensamento, consagrando,
em sua plenitude, a liberdade de imprensa - da imprensa
escrita, do rádio e da televisão - e a
livre criação em todos os campos da cultura,
das artes e da ciência.
05. O direito de auro-organizar-se, num ambiente pluralista,
em partidos, sindicatos, movimentos, associações,
instituições e toda e qualquer forma de
organização ou atividade, de acordo com
os interesses e motivações, tendências
e aspirações da população,
de suas minorias, grupos sociais e comunidades, com
independência do controle e tutela do Estado e
com garantias contra toda a forma de autoritarismo ou
limitações arbitrárias.
06. O direito de abominar e combater toda a doutrina
e práticas que discriminem brasileiros e demais
habitantes do País, por suas idéias, crenças,
sexo, idade, raça, aspecto físico, nacionalidade,
classe social ou muito especialmente, por sua condição
de pobreza;ou ainda, que conduzam ao desrespeito de
sua dignidade ou que suprimam ou restrinjam seus direitos
humanos e sociais.
07. O direito de transformar, através de legislação,
medidas e instrumentos democráticos adequados,
as estruturas políticas, sociais e econômicas
do País para a construção de nosso
desenvolvimento independente e de uma sociedade que
venha a ser, cada dia mais participacionista e criativa,
mais livre e democrática, mas fraterna e igualitária,
com oportunidades iguais para todos os brasileiros.
08.O direito de estabelecer - frente a esse escândalo
social inconcebível, atentado crucial ao futuro
da Nação, que é a existência
no País de menores carentes, em estado de miséria,
degradação ou de completo abandono - como
a mais urgente prioridade nacional, independentemente
de toda outra consideração, a de garantir
a todas as crianças, aos adolescentes e jovens
do País, particularmente as de origem mais humilde,
desde o ventre materno, alimentação, escolarização,
desenvolvimento humano e educação.
09.O direito de considerar, igualmente, como questão
prioritária para o conjunto da Nação,
a situação de minoria, de degradação,
de marginalismo de dezenas de milhões de brasileiros
carentes de amparo, integrando-os, solidariamente, através
de amplos programas de desenvolvimento social, estimulando
sua auto-organização e tomada de consciência,
proporcionando-lhes meios de produção,
trabalho, garantindo-lhes, como mínimo, um teto
condigno, um nível aceitável de assistência
médico-social e meios básicos de sobrevivência
e educação.
10. O direito de estabelecer prioridade aos interesses
gerais das maiorias trabalhadoras, populares e produtivas
do País, proporcionando a todos, por modesta
que seja sua habitação, acesso ao trabalho,
estabilidade ocupacional, salário justo, participação
real e crescente nos frutos do desenvolvimento do qual
eles são os principais construtores, bem como
previdência e serviços sociais. O direito
a ampla liberdade para auto-organizar-se em sindicatos
e outras entidades que os próprios trabalhadores
julguem necessárias e convenientes para a defesa
de seus interesses, para dirigi-los independentemente
do controle patronal, do Estado e dos partidos políticos,
com plena garantia de greve como principal instrumento
de luta dos assalariados.
11. O direito d democratizar o regime de propriedade
e a justa utilização dos recursos produtivos,
visando ao desenvolvimento social e ao progresso econômico,
de forma a garantir ao pequeno e médio produtor
rural o acesso à propriedade ou a preservação
e propriedade da mesma e proporcionar habitação
condigna a todas as famílias, tanto nas cidades
quanto no interior do País.
12. O direito de rejeitar e opor-se a qualquer política
econômica e social concentracionista, que favoreça
as minorias e grupos privilegiados, nacionais ou estrangeiros,
condenando imensos contingentes da população
brasileira e regiões inteiras do País
ao marginalismo e à miséria.
13. O direito de exigir que o desenvolvimento brasileiro
se realize com harmonia e proteção da
natureza, com defesa, do meio ambiente e utilização
racional de nossos recursos naturais e não renováveis.
O povo brasileiro tem o direito de afirmar, em sua inconformidade,
que a concessão de latifúndios a grupos
nacionais ou estrangeiros e à exploração
predatória da Amazônia vem se realizando
à sua revelia lesando seus legítimos interesses.
14. O direito de defender-se e de combater todo tipo
de imperialismo político e econômico ou
sistemas de exploração, não apenas
do homem pelo homem, de grupos ou classes contra a coletividade
como, especialmente, a exploração do trabalho
e nossos recursos naturais de nosso País pelas
empresas multinacionais.
15. O direito d denunciar, como antinacionais, totalitárias,
contrárias ao Brasil e seus destinos superiores,
quaisquer doutrinas ou práticas que não
reconheçam estes direitos dos brasileiros, como
povo e nação e que pretendam impingir
a idéia de que a segurança nacional e
o desenvolvimento só podem ser alcançados
com um Estado forte, autoritário, elitista, centralizado
e centralizador, com a economia do País entregue
a grupos econômicos e financeiros internacionais.
Essa doutrina é um instrumento ideológico
de interesses estranhos à nacionalidade e de
grupos espoliadores que nos vêm conduzindo à
dependência e à dominação
neo-colonial. Somente seremos uma grande Nação
em segurança, se a totalidade de nossa população
se elevar culturalmente, sob os valores da liberdade
e da democracia, atingindo níveis de vida e de
criatividade que só um desenvolvimento socialmente
justo e independente lhe pode proporcionar.
VII - Trabalhismo Democrático, Propriedade Social
e Propriedade Privada
01. O Trabalhismo Democrático considera qua
a propriedade, o capital, todos os meios de produção,
têm acima de tudo, uma função social
e seu uso, aproveitamento e exploração
estão condicionados aos interesses da coletividade
e ao conjunto da Nação. E, por isso mesmo,
da essência do Trabalhismo Democrático
promover a diversificação e democratização
das relações produtivas na direção
do socioalismo, de modo que diversas formas de gestão
e propriedade social dos meios de produção
- da natureza mais justa e humana, com base na cooperação
e na solidariedade - possam ser incorporados, crescentemente,
à vida econômica brasileira, independentes
do Estado, mas enraizados nos interesses reais dos trabalhadores
e de toda a população. Nessa perspectiva
é que se insere o acesso crescente dos trabalhadores
às decisões em geral, particularmente
nas grandes empresas públicas e privadas, a co-gestão,
a autogestão e o cooperativismo nos campos da
produção, consumo e distribuição;
especialmente nos ramos que mais afetam as necessidades
populares e os problemas fundamentais dos pequenos e
médios produtores. Só a prática
da democracia decidirá a conveniência e
a característica de cada uma dessas formas e
a relação adequada entre eles.
02. Assim, a democracia trabalhista não exclui
mas condiciona aos interesses sociais a propriedade
privada dos meios de produção, a livre
iniciativa nas atividades econômicas, o capital
privado, ou seja, a chamada economia de mercado. Condiciona-os
ao desenvolvimento planificado e independente de nossa
economia e ao bem-estar e direitos sociais do povo brasileiro,
às garantias do trabalho e à justa distribuição
dos frutos da produção. A livre iniciativa,
particularmente, deve ser um dos fatores de mobilização
dos recursos nacionais, promovendo a expansão
independente da economia brasileira e gerando o progresso
social. Nesse sentido, o Trabalhismo Democrático
apóia, prioritariamente, a pequena e média
empresa nacionais, os pequenos e médios produtores
do interior e todas as suas organizações.
03. Quanto ao direito de propriedade e, em matéria
econômica, o trabalhismo consagra o princípio
democrático e prevalência dos interesses
social e nacional sobre o particular, da limitação
deste frente àqueles. Por conseguinte, o Trabalhismo
adota e preconiza a intervenção do Estado
no domínio econômico através de
legislação e instrumentos legais adequados,
como forma de defender o conjunto do País e nossos
recursos naturais da espoliação internacional
e da exploração predatória, de
promover o nosso desenvolvimento independente e assegurar
o bem-estar coletivo e a justa distribuição
de renda, impedir e combater a exploração
do povo, o enriquecimento ilícito e todas as
formas de corrupção. A intervenção
do Estado, que o Trabalhismo Democrático preconiza
e defende, caracteriza-se pelo seu conteúdo social
e amplo controle democrático da gestão.
VIII - Trabalhismo Democrático e Desenvolvimento
O Trabalhismo Democrático parte do pressuposto
de que o fator decisivo de nosso desenvolvimento é
o povo brasileiro, pois é ele a maior riqueza
nacional e que o País tem de melhor e de mais
valioso. Potencialmente, temos todas as condições
para o desenvolvimento: vasto território, grande
população, abundantes recursos naturais,
capacidade técnica e mercado interno de enormes
proporções. Entretanto, tais condições
só se transformarão em desenvolvimento
real quando a sociedade brasileira for reordenada de
acordo com a vontade e com a participação
da totalidade de nosso povo. Constitui, pois, parte
integrante de nossa proposta, a definição
de uma nova política de desenvolvimento econômico
que tenha o povo brasileiro como o centro de suas preocupações,
objetivando a construção de uma sociedade
livre e igualitária, de prosperidade generalizável
a todos os assalariados. A concretização
dessa política deve levar em consideração
as seguintes questões essenciais:
01. O desenvolvimento nacional independente pressupõe
poder decisório e disciplinador sobre o processo
de acumulação e investimento em nosso
País. Não podemos subordinar o crescimento
e distribuição da renda ao arbítrio
do grande capital estrangeiro nacional. Enquanto o capital
detiver os poderes ilimitados de orientar os investimentos
como lhe aprouver, os governos democráticos e
o povo brasileiro serão levados à frustração,
sem as condições de executar seu programa
de desenvolvimento.
02. O Trabalhismo Democrático afirma que a forma
de nosso relacionamento econômico e financeiro
internacional é a causa principal de nosso subdesenvolvimento,
atraso e pobreza. As estruturas internas do País
têm sido moldadas, ao longo de sua história,
para manter e perpetuar nossa situação
de espoliação e dependência na relação
com o mundo exterior, situação que se
implantou e se perpetuou porque corresponde a interesses
de poderosos grupos internos. Tocar nas estruturas internas
é, portanto, interferir no relacionamento externo.
A transformação das estruturas internas
de produção e poder se relaciona, intimamente,
com nossa independência e soberania, frente às
economias e governos estrangeiros. A alternativa Democrática
Trabalhista é a de firme e sistematicamente,
através de políticos e decisões
democráticas, promover e realizar a eliminação
dos privilégios internos e todos os fatores de
nossa dependência externa.
03. O desenvolvimento nacional autônomo está
estreitamente vinculado à política do
capital estrangeiro cuja entrada, aplicação,
presença, remuneração e retorno
devem ser rigorosamente disciplinados e controlados,
subordinando-os aos interesses do povo brasileiro e
à valorização do trabalho nacional.
IX - Plano Internacional
O Partido Democrático Trabalhista adota como
princípios básicos, a defesa da independência
nacional, da integridade territorial, da soberania nacional,
da autodeterminação dos povos, da coexistência
pacífica entre as nações e do não-alinhamento.
Em consonância com esses princípios, o
Trabalhismo Democrático defende o estabelecimento
de relações diplomáticas e intercâmbio
comercial e cultural com todos os povos. Repudia a guerra,
as competições armamentistas, o emprego
das armas de extermínio e das experiências
atômicas e termonucleares. Luta contra o imperialismo,
o colonialismo e o racismo. Condena todas as formas
de agressão, intervenção e pressão
econômica e batalha pelo respeito aos direitos
humanos em todos os países. Defende a livre determinação
dos povos na escolha de seus dirigentes e de suas formas
de governo. Propugna pela arbitragem dos letígios
e nos conflitos internacionais. Reivindica uma nova
ordem econômica mundial que assegure a defesa
dos nossos recursos naturais e humanos, a proteção
dos preços de nossas exportações,
a existência de relações financeiras
justas, o acesso a todas as conquistas científicas
e tecnológicas da humanidade, e a garantia de
uma participação igualitária nos
organismos internacionais.
De acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 5.682,
de 21 de julho de 1971 (Lei Orgânica dos Partidos
Políticos) com a redação dada pelo
art.1º da Lei nº 6.767, de 20 de dezembro
de 1979, é indicada: I - A Comissão Diretora
Nacional Provisória, constituída por:1
Leonel de Moura Brizola; 2 Armindo Marcílio Doutel
de Andrade; 3 Lidovino Antonio Fanton; 4 Alceu de Deus
Collares; 5 José Frejat; 6 Benedito Cerqueira;
7) Suzanna Thompson Flores Pasqualini; 8 José
Guimarães Neiva Moreira; 9 Antonio Guaçu
Dinaer Piteri; 10 Darcy Ribeiro; II - A "denominação
partidária" e "sigla" serão
"Partido Democrático Trabalhista" e
"PDT", respectivamente; III - Segue-se a assinatura
dos fundadores.
Data: 26/05/1980
Fonte: Fontes Trabalhistas - Autor Agenor Basso
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