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Darcy Ribeiro
O
político, educador, antropólogo, romancista
e visionário Darcy Ribeiro, que morreu no dia
17 de fevereiro de 1997, em Brasília, era antes
de tudo um pedetista. Seu enterro no Rio de Janeiro,
a cidade que adotou e representou no Senado, lhe prestou
uma homenagem fora do convencional. À frente
estavam as crianças dos CIEPs, as escolas de
tempo integral, concebidas por ele e Brizola e que deram
a arrancada da educação no Brasil. Uniformizados,
aqueles meninos não estavam tristes com a partida
do mestre e criador. Eles estavam alegres, porque Darcy
gostava de alegria, mesmo na morte e, principalmente,
porque a obra maior do homem de quem se despediam em
vida estava ali para ficar.
Darcy conseguiu enxertar na nova lei de Diretrizes
e Bases da Educação, que ele concebeu
e tornou realidade, num de seus itens, a transformação
de todas as nossas escolas em uma espécie de
CIEPs, dentro de dez anos. Isso significa que as escolas
públicas brasileiras serão obrigadas a
dar escola o dia inteiro, com café da manhã,
almoço, ginástica, banho, aulas, estudo
dirigido e fazerinteração com a comunidade.
Junto com as crianças, reapareciam os lenços
vermelhos e as bandeiras do PDT, uma destas envolvendo
o corpo de Darcy, juntamente com o pavilhão nacional
e o da Academia Brasileira de Letras.
Leonel Brizola, Neiva Moreira, Miro Teixeira, Vivaldo
BArbosa, José Maurício e toda a direção
do PDT lá estavam como a dizer que iam zelar
ferozmente para que a obra de Darcy não cairiaa
no esquecimento e nem seria entregue ao abandono, quaisquer
que sejam os manda-chuva do Rio e do Brasil.
O homem Darcy- Mas quem foi o homem que tanto mexeu
com os corações? Os políticos o
chamariam de um animal político. Os educadores,
o mestre. Os antropólogos, seu guia. As minorias,
principalmente a negra, a índia e a criança,
seu pai. Darcy Ribeiro foi na verdade uma sumidade,
não aquela das elites, mas do povão, daquilo
que na essência se chama Brasil. Perseguido e
cassado pela ditadura, marginalizado pelas elites, desde
a juventude, quando demonstrou seu gosto de povo, Darcy
não se apoquentou. Foi adiante. Antes de ser
cassado, em 1964, por ter querido resistir com João
Goulart, já tinha sido ministro da Educação
e Chefe da Casa Civil daquele último Presidente
Popular que o Brasil teve.
Cassado e proibido de entrar no Brasil, juntamente
com Brizola , foi prestar seus serviços ao povo
do Uruguai, Peru e Chile. No Peru, foi assessor do Presidente
Alvarado, no Chile, do Presidente Salvador Allende.
Depois era requisitado, para juntamente com Oscar Niemeyer,
projetar a nova Universidade da Argèlia. De volta
ao Brasil, em 1978, para extrair um pulmão canceroso,
ele ajudou no movimento pela anistia política.
Em 1982, elegia-se vice-governador na chapa de Leonel
Brizola. Logo se transformaria no secretário
de Educação do novo governo popular e,
com o apoio total de Brizola, fazia o Sambódromo,
os CIEPs, as bibliotecas públicas e agitava a
vida cultural do Estado. Candidato a governador em 1986,
foi derrotado pela direita. Em 1990, elege-se senador
e chamado novamente para Secretário por Brizola,
que ganhara o segundo mandato de governador do Rio,
foi completar a obra dos 500 CIEPs. No Senado, fez a
LDB e uma dezena de outros projetos. No final da vida,
projetou a Universidade Virtual e o Projeto Caboclo
(FC Leite Filho).
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